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    Concreto

    Patologias do Concreto: Fissuras, Carbonatação e Corrosão de Armaduras

    Por Ismael Cavalcantepatologias concreto fissuras carbonatação corrosão
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    O que é Patologia em Estruturas?

    Patologia estrutural é o estudo das origens, mecanismos de desenvolvimento, manifestações e consequências das anomalias em estruturas de concreto. O termo "patologia" é emprestado da medicina — assim como doenças no corpo humano, as patologias do concreto têm causas, sintomas e tratamentos.

    1. Fissuração

    Fissuras de Retração Plástica

    Quando ocorrem: nas primeiras horas após o lançamento, quando a superfície perde água mais rápido do que a exsudação compensa.

    Aparência: fissuras superficiais, paralelas, com comprimento de 10–50 cm e abertura < 0,5 mm.

    Prevenção: cobrir imediatamente após o acabamento; cura úmida intensa nas primeiras horas.

    Fissuras por Sobrecarga (Flexão)

    Aparência: perpendiculares ao eixo da viga na região de momento máximo (meio do vão). Em pilares, inclinadas a 45° (cisalhamento).

    Aceitabilidade: NBR 6118 limita abertura de fissura a:

    • 0,4 mm para classe I
    • 0,3 mm para classe II
    • 0,2 mm para classes III e IV

    Fissuras ativas (que mudam de abertura) são mais preocupantes que fissuras estabilizadas.

    2. Carbonatação

    O CO₂ do ar reage com o hidróxido de cálcio do concreto, formando carbonato de cálcio. O pH do concreto cai de ~13 para < 9 — abaixo desse pH, a camada passivadora do aço é destruída.

    Velocidade de carbonatação: proporcional à raiz quadrada do tempo. Com cobrimento de 20 mm e concreto de baixa qualidade, a frente de carbonatação pode atingir a armadura em 10–15 anos.

    Diagnóstico: solução de fenolftaleína. Concreto alcalino (pH > 9) fica roxo; concreto carbonatado (pH < 9) fica incolor.

    3. Corrosão de Armaduras

    Após a destruição da passivação (por carbonatação ou cloretos), inicia-se a corrosão eletroquímica do aço.

    Manifestações: manchas ferrosas na superfície, fissuras longitudinais sobre a barra, delaminação (lascamento) do concreto.

    Consequências: cada 1 mm de corrosão na barra reduz a seção em ~15% em barras finas.

    Tratamento: remover concreto comprometido (≥ 2 cm além da barra), lixar a armadura até metal são, aplicar primer anticorrosivo, reconstruir com argamassa de reparação de alta aderência.

    4. Ninhos de Concreto (Bicheiras)

    Causa: adensamento insuficiente, excesso de armação, concreto seco demais ou fôrma não vedada.

    Tratamento: remover todo o concreto solto até área sã, preparar a superfície com jateamento, aplicar nata de cimento + argamassa de reparação em camadas.

    5. Manchas de Eflorescência

    Depósitos esbranquiçados de carbonato de cálcio na superfície, causados por migração de hidróxido de cálcio dissolvido em água.

    Tratamento: escovação seca + solução de ácido fosfórico diluído (5–10%) + lavagem. Para evitar recorrência, impermeabilizar a superfície.

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